sexta-feira, 6 de março de 2015

3 anos de Euterpe Despedaçada




Chegamos finalmente aos 3 anos de vida, Daniel MM e Tiago Malta sempre empenhados em deixar essa senhora Euterpe sempre ativa! Mas o que aconteceu em mais um ano de vida?

Há um ano atrás tínhamos 367 seguidores na página e hoje temos 532 pessoas! No twitter havia 154 seguidores e hoje contamos com 189! A pagina cresceu, ficamos um pouco enrolados e muita coisa boa aconteceu!

Passamos a contar com a ajuda do Jullian Ventura, o cara responsável por todas noticias relacionadas a Rock, tanto aqui no blog como lá na fã page, conhecido entre nós como o "Emissário do Rock!" e também contamos com Tiago de Lima, o Especialista, fazendo parte do nosso corpo de debatedores, escrevendo e gravando podcast com a gente também. Além disso, contamos com a presença do Renato Pereira, contribuindo com uma postagem hilária sobre o set lista da copa! Devemos agradecer esses dois caras por toda ajuda e por acreditarem no projeto!


Tivemos algumas postagens importantes como a apresentação da banda instrumental "O Grande Ogro", a polêmica Glastonbury por Jullian Ventura e por que não também o podcast falando do mesmo tema, na qual contamos com a presença dos nossos amigos e parceiros do Panzercast: Felipe Parra, Tadeu  Barba e Chileno


Perdemos no ano de 2014 o dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna, recebendo devidas homenagens e um texto do Daniel MM sobre a Música Armorial. Contamos com a contribuição do Gabriel Perboni ao produzir um Justa Aumentada sobre a Orleans Street Jazz Band, vale a pena conferir! 


Coisas estranhas ocorreram no ano de 2014 e tivemos de colocar a boca no trombone e criticar a possível privatização da Escola de Música Villa-lobos, a postagem deu o que falar!
Conseguimos fechar a tetralogia dos Anél dos Nibelungos com a parte 4:O Crepusculo dos Deuses! Agradecemos imensamente a: Evilin, Demetrius, Caio Irvin, Apioarpio, Melina, Mey Linhares e Angélica Hellish!

Contamos com a participação de alguns músicos importantes como Paulinho Bicolor, no programa Justa Aumentada, contando sua experiência na Cuica! Geisa Fernandes e uma análise do seu trabalho em uma postagem nossa.Gravamos o podcast sobre Funk, debatendo sobre o preconceito contra o Gênero, contamos com a participação especial de Jorge Valpaços e de Renato Martins do Funk na Caixa! Agradecemos aos dois pela participação nesse cast!

Agradecemos também ao Felipe Manhães, sempre presente para edição de imagens!
Gostaríamos de citar também nosso último podcast sobre Guerra Peixe e o ótimo Texto sobre Viola Caipira do Tiago de Lima, inaugurando uma nova coluna: O Momento Caipira.
Agradecemos a toda essa turma por estarem presentes e ajudarem a construir esse projeto!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Momento Caipira - Por que músicas caipiras são tão tristes?

Por: Tiago de Lima Castro

Quem nunca se perguntou o porquê das letras caipiras serem tristes, falarem dos prolemas amorosos, das dificuldades da vida. Por que tamanha ênfase nas dificuldades intrínsecas a vida no interior? Há casos em que a canção termina em tragédia e em outras o inusitado ocorre. Ouçamos os exemplos abaixo:




A música caipira tem uma longa história, tendo início no processo de catequização, onde jesuítas já utilizavam a viola caipira assimilando ritmos indígenas num contexto de catequização. Temos exemplos de ritmos como: Cururu, Cateretê, Cana-verde, entre outros. Posteriormente, ritmos de origem africana também foram absorvidos, como o Batuque – sendo os ritmos derivados deste, como Batidão, a base de certa faixa do chamado “sertanejo universitário”. Essa base de religiosidade e sincretismo, fruto da ação jesuíta, formou o núcleo daquilo que veio a ser conhecido como música caipira posteriormente.

Como assevera Roberto Correa, toda prática da viola implica toda uma mística de pactos com diabo e relações com o divino. Antes da canção caipira, a prática musical do caipira e do tropeiro eram baseadas em dois núcleos nem sempre separados nas festividades: a adoração e o falar da vida. Essa divisão tem um caráter instrumental a esse texto.

A adoração são folias e folguedos como festas do divino espírito santo, folias de reis, exaltação a São Gonçalo, o santo violeiro, dia de Santo Antônio, e demais santos das festas juninas. Nestes momentos, fora das igrejas, as pessoas buscavam na música com a viola, por meio de ritmos oriundos de tradições indígenas e africanas, uma relação de espiritualidade com o divino. Mesmo em um meio cultural católico, enaltecer a justiça divina era feito por meio de danças e cantos em meio ao mato e nas próprias casas. Como não ver ecos de antigas danças indígenas e africanas em meio a natureza como celebração da vida, agora transpostas para um contexto católico, em busca de ligação com Deus através do Espírito Santo, mas em meio ao contexto rural, as plantações, nas próprias casas através da alegria plena destes folguedos? Como exaltar a Deus sem alegria? Lembrando que falamos de um catolicismo jesuíta do período colonial sincrético com comemorações indígenas e africanas. Daí tantos ritmos alegres nesse contexto.




O falar da vida já tem outro foco, aqui falamos da dureza da vida do caipira e do tropeiro, tanto de seus amores como de suas dificuldades sociais. Grande parte da moda de viola, em sua especificidade enquanto prática caipira, expressa essa temática. Das dificuldades de levar o gado por grandes comitivas, da exploração dos donos de terra, dos conflitos em nome da honra... Como representar a dureza da vida com alegria e com  ritmos contagiantes? Por isso a tristeza permeia as modas de viola e das toadas. Ouçamos os exemplos acima.

O caipira vê o mundo com uma visão encantada, no sentido tratado por Max Weber. É um mundo metafísico em que o divino e o diabólico são realidades concretas presentes em nosso cotidiano. A religião, nesse contexto, não é algo subjetivo que fazemos em instituições religiosas, mas é uma espiritualidade em que o divino e o mundo estão em plena relação. A vida urbana, no Brasil, já caminhava para um mundo laico, liberal e desencantado, onde a religião é algo meramente de foro íntimo. Para o caipira, Deus, Santos, Diabo e tudo mais, são realidades plenas e concretas, de certa forma. Por isso os romances de Guimarães Rosa são tão metafísicos, por exemplo.

Num contexto católico, mesmo que sincrético, como é do mundo caipira, devemos viver buscando a vida eterna, pois ali teremos a vida em abundância desde que tenhamos uma vida humilde e cristã. Daí, devemos honrar a vida eterna, a Cidade de Deus, como diria Agostinho de Hipona; e chorar a vida mundana que é somente um prova de fé em suas intrínsecas dificuldades, para sermos merecedores da verdadeira alegria nos reinos dos céus. Dessa forma de vê, jungida a alegria intrínseca das festividades indígenas e africanas de comunhão com suas divindades, canta-se as alegrias da vida eterna com danças e festividades, enquanto ao ruminar as dificuldades da vida mundana não tem nenhum sentido serem cantadas com alegria... Essa dicotomia da realidade, como vista pelo caipira, é expressa em sua musicalidade.

As canções caipiras surgem no início do século XX, com ajuda de intelectuais como Cornélio Pires, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, entre outros. As clássicas duplas caipiras foram criando canções – uma prática urbana – para as rádios, tirando o contexto dos folguedos onde a música fora produzida. Com isso, a música começa a ter um tempo limite, como tudo no rádio, e a falar também a um público que não está vivenciando essa realidade descrita. Porém, até meados dos anos 60, a música caipira tem grande relação como o modo encantado de ver o mundo, como descrito acima.

Porém, como as duplas farão canções de rádio para ganhar dinheiro, falando das alegrias dos santos e do espírito santo? Num contexto de cunho católico, mesmo que sincrético, isso é desrespeitoso e abominável, daí as canções focarem-se no falar da vida principalmente, pelo menos até meados dos anos 60, em que ela muda de contexto. Mas isso é assunto para um outro Momento Caipira...

Sugestões para aprofundamento

A Arte de Pontear a Viola, Roberto Correa

Cantando a própria história, Ivan Vilela - http://www.musicadesaopaulo.com.br/ivan_vilela.pdf

Rosário de Capiá, Nhô Bento

São Gonçalo, Tiago de Lima Castro - https://tianix.wordpress.com/2008/07/10/sao-goncalo/

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Mr. Catra Roqueiro


O Beco

Por volta da década de 1980 surgia o guitarrista e vocalista Wagner Domingues da Costa com a banda “O Beco”. Esse Wagner seria conhecido mais tarde no Funk como Mr. Catra. O passado roqueiro de Catra traz espanto a algumas pessoas que não conseguem conciliar como o famoso funkeiro, Catra poderia ser um apreciador de rock e ainda guitarrista também! Claro que essa desconfiança não passa do esteriótipo que criam ou mesmo preconceito contra o músico. Não existe nenhuma gravação da banda na época em que Catra tocava e cantava, mas existe um vídeo da banda na década de 1990 tocando Ska, sem o Catra em sua formação.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Opus 3 - 3º Movimento:Guerra-Peixe


Fechando o ano de 2014 com muita honra falaremos sobre esse importante compositor brasileiro, que nesse mesmo ano comemora seu centenário: César Guerra-Peixe! Contaremos um pouco de sua vida e trajetória. Um feliz ano novo a todos!
Participação de Daniel MM e Tiago Malta



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Desenho da capa: Daniel MM
Arte final: Felipe Manhães
Edição de áudio: Tiago Malta

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Opus 3 - 2º Movimento: Quem tem medo de Funk?


Quem tem medo de Funk? Gênero musical tão estigmatizado e atacado por nossa sociedade moralista, vamos debater sobre o Funk e o preconceito contra o pancadão. Já existia planos de fazermos um podcast sobre o Funk e os preconceitos disseminados por quem não curte o gênero, graças ao video de Nando Moura, acabamos por agilizar o processo e conseguimos produzir esse baseado no video citado.
Participação de Daniel MM, Tiago Malta e os convidados Jorge Valpaços (Pare&Pense, Debate Histórico) Renato Martins (Funk na caixa) Tiago especialista (Randoncast, Nérdopole, Pensamento pesquisa e reflexões)



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Desenho da capa: Daniel MM
Arte final: Felipe Manhães
Edição de áudio: Tiago Malta

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Geisa Fernandes, a pintora de autorretratos musicais


 Texto e análise de : Tiago de Lima Castro e Daniel Marcos Martins

Geisa Fernandes, cantora de música popular brasileira, viajou para Campinas com 18 anos e cursou a UNICAMP, sendo formada em História com doutorado em comunicação. Em 1995, viajou para Osnabruck na Alemanha, depois de três anos rumou para Hasselt na Bélgica, voltando ao Brasil um ano e meio depois já em 2000. Fixou-se em Niterói em 2004, na qual mora até hoje.

Lançou seu primeiro disco em janeiro de 2013 pela Capital Carioca. O álbum leva seu próprio nome e possui músicas de sua própria autoria, com exceção de “Brejeiro” do compositor Ernesto Nazareth, que completava 150 no mesmo ano de lançamento do disco. Geisa explora vertentes da MPB, passeando entre o Jazz, Samba e Pop.


Os franceses consideram a música de Geisa como um “Latin Jazz”, sendo normal vermos a classificação de “Jazz” para alguns ritmos brasileiros no exterior. É interessante observar como Geisa se encaixa na definição de “Latin”, ou seja, um Jazz latino enriquecido com ritmos Latino Americanos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Justa Aumentada #3: Paulinho Bicolor



Vamos bater um papo com o cuiqueiro Paulinho Bicolor, contando sobre sua experiência no Samba e falando desse instrumento tão peculiar: a Cuica. Não conhece o instrumento? Acha que ele faz pouca coisa? Até o Rock já usou Cuica! Então escute essa entrevista e saiba mais sobre esse instrumento musical.



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Arte: Felipe Manhães
Realização e edição: Daniel MM.



sábado, 25 de outubro de 2014

Slipknot: Resenha de 5: The Gray Chapter:


Por: Jullian Ventura.


Após ouvir o disco é difícil organizar as ideias pra começar a comentar algo, o disco na abertura (XIX) já começa como todo o show do Slipknot, cheia de suspense, mais já apresenta novas timbragens e quando menos se espera soam palavras de ordem bradadas por Corey a plenos pulmões, mas vamos direto e reto como eu gosto em resenhas, nesse disco você não verá o novo baixista e baterista criando algo mirabolante, lembre-se eles ainda não fazem parte da banda, então como bons músicos de estúdio seguiram bem as ordens dos verdadeiros membros, o disco tem a cara e assinatura do Slipknot, o fato do Joey Jordinson (ex-baterista) não estar nesse disco e ser um dos principais compositores do Slipknot realmente não fez falta, o disco tem melodias e letras que transpiram o velho e bom Slipknot, porém com uma roupagem melhor, esse disco é uma evidência de continuismo do disco "Subliminal Verses Vol.3" de 2004, a música da banda evolui bastante a partir desse ponto, Jim Root e Mick Thomson reafirmam o casamento na dobradinha de guitarras que funcionou muito bem mais uma vez.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Anel dos Nibelungos - Parte IV, O Crepúsculo dos Deuses


Finalmente chegamos a última parte do Anel dos Nibelungos. OsGibichungs e o trágico fim dessa tetralogia colossal, a cobiça pelo anel e a ganancia dos homens que se matam pelo ouro do Reno. Escapara Siegfried da maldição do Anel? Qual sera o destino final do anel dos Nibelungos? Os Deuses então deixarão de existir?


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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Privatização da Escola de Música Villa-Lobos: O relato de um ex aluno contra a privatização.

Foto: Marina Miglieta

   Comecei a estudar no Villa Lobos em 2000, eu era um rapaz cheio de entusiasmo e me lembro de quando cheguei nos corredores daquela magnífica escola pela primeira vez, onde fiz minhas primeiras amizades. Vi um rapaz saindo do auditório Guerra-Peixe e ser abraçado por uma colega que dizia “eu vi sua apresentação, ficou linda!” Senti que aquele era o melhor lugar para começar a viver e sentir música, onde conheceria pessoas que carregaria comigo durante a formação como músico e mesmo após ela.
    Sempre morei em Campo Grande, a uns 60km dali,  vindo de um lugar em que não tínhamos escolas de música (a conhecida Dinear não tinha curso de violino que eu queria fazer e anos depois acabou fechando) foi uma das melhores escolhas que eu poderia fazer, um ambiente agradável com ótimos professores. O preço era acessível (algo em torno de 200 reais por semestre) para uma pessoa nas minhas condições esse era o lugar ideal. A Escola se situa no centro da cidade, recebendo alunos de toda parte do Rio de Janeiro. Acabaria vendo que muitos estavam na mesma situação que eu, que vinham de longe, como Nova Iguaçu, Paracambi e regiões até mais longínquas.