quarta-feira, 19 de abril de 2017

Euterpe Despedaçada - Egocêntrico (videoclipe)



Euterpe Despedaçada - Egocêntrico (videoclipe) 



Ode é  uma música do Álbum "O Grande Salto de 6 Polegadas" da Euterpe Despedaçada lançado em 2015. Originalmente essa música foi produzida para o podcast Leitura a primeira vista # 2. Para baixar o álbum completo clique AQUI.

Fonte: https://youtu.be/kWAvlKlt0ws

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Música, identidade e ativismo: a música nos protestos de rua no Rio de Janeiro (2013-2015) PARTE 1

Postarei aqui no blog partes do artigo que escrevi recentemente para a revista Vortéx, como titulo "
Música,identidade e ativismo: a música nos protestos de rua no Rio deJaneiro (2013-2015)". O artigo foi escrito para o Dossiê "Som e/ou Música, Violência e Resistência" fazendo parte da revista de número 2, volume 3 publicada no final de 2015. Resolvi copiar alguns trechos do artigo, que talvez possam chamar mais a atenção dos leitores e dividir em algumas partes afim de tornar a leitura mais fácil dado o tamanho do artigo (cerca de 20 páginas). Aos leitores mais vorazes disponibilizo o artigo na integra no link acima já citado.
Foto: Breno Crispino

Pretendemos analisar a participação de músicos ativistas nas manifestações políticas de rua ocorridas entre 2013-2015, especialmente na cidade do Rio de Janeiro. A análise parte da busca por compreender o que motivou esses músicos a participarem dos protestos de rua. Além disso, se verifica o processo de adaptação e criação desses grupos no conjunto dos movimentos sociais, quais os desdobramentos dessa prática e até que ponto ela foi efetiva para uma nova forma de fazer política nas ruas do Rio de Janeiro. Dentre os desdobramentos da participação desses músicos, temos o surgimento da frente artística, o “Bonde”, frente destinada a agrupar os blocos, grupos artísticos e ativistas que compartilhavam convicções e ideologias similares às reivindicadas nas manifestações.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Opus 4 - 2º Movimento: Whiplash


O filme Whiplash – Em Busca da Perfeição, dirigido e reoteirizado por Damien Chazelle, causou um verdadeiro furor em 2014, acumulando premios do Oscar, Bafta, SAG, Globo de Ouro e o Sundance. Entretanto, o filme aborda a relação entre músicos e maestros, mas as coisas ocorrem como no filme? Haveria outras formas de encaminhar o aprendizado musical? Muito já se falou sobre os aspectos cinematográficos do filme, porém, aquí você escutará uma discussão sobre a complexa relação entre músicos e maestros!


Participação de Daniel MM, Tiago Malta,Tiago de Lima Castro e o convidado Alexander Vasquez, a Lhama do mal lá do Panzercast.

Desenho da capa: Daniel MM
Arte final: Felipe Manhães
Edição de áudio: Tiago Malta


Trilha sonora desse podcast

André Segovia - Danza in G (Granados)
André Segovia - Fandanguillo (Torroba)

Euterpe Despedaçada - Casuar

Hank Levy - Whiplash

Hurwitz - Accident
Juan Tizol and Duke Ellington - Caravan
Justin Hurwitz - OvertureJustin 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

É possivel saber os limites entre música "erudita" e música popular?

Esse texto foi adaptado da minha monografia, extrai um trecho sobre a tentativa de se definir os limites do que é música erudita e o que é música popular. Não me joguei a esse exercício com a intenção de encontrar esses limites mas sim para mostrar o quanto é inútil tentar definir rótulos e como esses são usados constantemente para justificar preconceitos contra gêneros musicais. É certo que para alguns esse assunto seja velho, já debatido e cansativo, mas a cada dia que passamos podemos ver ele ainda mais vivo no senso comum.


Os primeiros entendimentos sobre “erudito” e o “popular”

Talvez a melhor forma de se identificar uma cultura “erudita” e uma “popular” seria através dos elementos que compõem e interagem entre si, também devemos imaginar modelos em que esses elementos são interligados e não excludentes. Avaliar uma arte por sua “pureza” (popular ou erudita), imaginar que existe um “original” superior, raízes, fontes únicas e absolutas, não passa de uma “ficção erudita” de caráter ideológico. (AZEVEDO, 2013, p.32) Maurício Monteiro afirma que “melhor mesmo fosse pensar a música através das práticas culturais e situá-la dentro de uma cultura escrita ou acadêmica, de tradição oral ou de indústria cultural.” (2008, p.34) Fica mais interessante discutir uma arte popular feita pelo povo e não para o povo (da indústria cultural) e suas interações.

Observando-se primeiro a música popular na Europa teremos compositores que se inspiravam na música popular, como o compositor Glinka em sua obra “Uma vida para o Czar”, de 1836 (BURKE, 2010, p.31)Outros compositores como Bach, Mozart, Haydn e Grieg também baseavam-se em melodias populares. A década de 1920 no Brasil a música popular era a “voz do povo”, a “voz da terra”, a “massa rude” que deveria moldar a arte brasileira. Não houve um interesse pelo estudo da cultura popular até 1850, a partir dessa data começou a se desenvolver um interesse sério sobre esse tema, talvez por causa da ameaça causada pela produção de massa. (BURKE, 2010, p.31) Mesmo a nobreza e o clero também tinham interesses na cultura popular, como no século XVI em que membros da elite liam livros com contos e baladas populares, ou mesmo se interessavam por festar populares, como o Carnaval. (p.54-55)
The Fight Between Carnival and Lent - Pieter Bruegel The Elder,  1559

No Estudo de cultura popular, teremos autores como Roger Chartier, que avalia as apropriações e representações dessa cultura, afirma que a cultura popular é “ser sempre abafada, recalcada, arrasada, e, ao mesmo tempo, sempre renascer das cinzas” (Apud AZEVEDO, 2013, p.28), ou seja, a cultura popular vive em constante processo de reconstrução e ressignificação. A arte brasileira é capaz de dialogar, de receber influências e influenciar constantemente. (AZEVEDO, 2013, p.28). Como vivemos em uma sociedade com muitas identidades fragmentadas, a cultura produzida também a será. Para Mikhail Bakhtin, as ideologias não são apenas reflexos, mas constituintes da realidade concreta. Toda expressão humana é necessariamente ideológica, e todo discurso terá sua dimensão política. A autora Marilena Chaui, vê essa sociedade como um jogo de culturas que buscam se dominar, “buscando as formas pelas quais a cultura dominante é aceita, interiorizada, reproduzida e transformada” (Apud AZEVEDO, 2013, p.29)
É preciso entender a música como representação e prática coletiva em que existirão músicas com conteúdos ideológicos. (MONTEIRO, 2008, p.46) A ideia de um conteúdo ideológico na música, pode nos levar a interpretação de que a cultura popular pode ser uma expressão da “identidade nacional”, que poderá ser usado para a afirmação da nacionalidade, como foi feito com a música no Estado Novo de Vargas, em que o compositor Villa-Lobos, desenvolveu a educação musical nas escolas através do canto coral popular, ou seja, o canto orfeônico. O campo musical se tornou uma importante arena para se definir o que seria a música popular brasileira no início do século XX. 


Mascarados de Poconé (MT)
Tentativas de definição do que é música “popular” e “erudita”.

Roland de Cande divide a música 3 categorias: música espontânea ou composta, música erudita ou popular e música clássica1 ou de variedades. A Música espontânea, e gerada a partir da transformação de uma mensagem, que é estocada no nível pré-consciente, é uma arte de tradição oral, chamada por alguns de folclore, é “uma criação popular para uso popular” (CANDE,2001 p.36). Na segunda categoria Cande considera a imprecisão das fronteiras entre Erudito e Popular, mas busca fazer a ligação do erudito sempre com uma elite cultural, considera o popular sendo oriundo de camadas populares ou industrializadas. Cande parece desconhecer qualquer tipo de hibridismo ou interação entre culturas, pois em uma de suas afirmações ele qualifica a superioridade do erudito, como diapasão para uma “boa música” quando descreve: “As vezes, a boa música popular é uma música erudita, por ser embasada num sistema erudito: existem músicas populares bastante eruditas.” (CANDE, 2001 p.36). Por fim o autor rebaixa a categoria “Música clássica ou variedades” categoria como “inibidora”, “corruptora” em que “não são musicais, mas comerciais” (CANDE, 2001 p.36) Seguindo um princípio da crítica feita por Adorno contra a música produzida pelo mercado capitalista, ou seja, a música que vira produto industrializado. Mas o nosso foco aqui é analisar a música feita pelo povo e não para o povo, como foi descrito antes.

The Euroradio

Ricardo Azevedo sugere “graus” de divisão na cultura popular, que não serão excludentes, diferentemente das concepções de Cande:
1) Uma cultura popular de primeiro grau, que são geralmente identificadas como parte do folclore, profundamente marcada pela transmissão oral, podendo conter crenças e “crendices”, conhecimentos tradicionais, rezas, simpatias, símbolos, tradições e costumes. Apresentará caráter funcional (música feita para festas ou ritual religioso), seus autores poderão ser desconhecidos. Poderemos enumerar algumas expressões como grupos de folias tradicionais, congadas, maracatus, cocos, calangos, jongos e caxambus, fandangos, marujadas, cavalos-marinhos, cirandeiros, cururueiros, caboclinhos, grupos de capoeira, tamborzeiros, violeiros, sanfoneiros, rabequeiros, carnavais de rua, escolas de samba e frevo, grupos urbanos como os rappers, hip-hop, sambas de roda, sambas de coco, sambas de parelha, sambas de matuto, sambas de lenço, sambas de partido-alto e outros.
2) A cultura de segundo grau, é identificada por sua tradição, valores e costumes, pertencente a camadas pobres, geralmente rurais das periferias urbanas, tem um forte vínculo com a cultura transmitida oralmente. Como exemplo: o sertanejo chamado “tradicional” ou de “raiz”, repente etc.
3)A cultura de terceiro grau, independe de classes sociais ou graus de instrução, poderiam ser associadas a uma “cultura intermediaria”, diz respeito a costumes da sociedade como um todo e tem um amplo acervo de costumes compartilhados, expressões, ditados ou conhecimento do senso comum, gestos, costumes como: festar de aniversário, dar presentes e cantar “Parabéns a Você”, ou sempre comer arroz com feijão, por exemplo. (AZEVEDO, 2013, p.62-64)
Os três esquemas sugeridos vivem de forma a interagirem entre si constantemente, e sofrem influências recíprocas e buscam organizar um pouco mais à imensa diversidade dentro da cultura popular
Será observado também os esquemas duais ou dicotômicos, que supõem a existência de evolução musical, na qual Cande defende. Como já sugerido aqui sobre a questão Adorniana de “cultura de massa” (“inferior” industrializada) e a “cultura híbrida” (misturas entre erudito e popular, por exemplo). É muito difícil definir o que é cultura popular por esses meios, uma vez que esses métodos se preocupam em descobrir o que a cultura popular se torna e não no que ela é, embora seja importante levar o fator econômico e saber avaliar em que condições uma música é produzida (como na indústria cultural) o mais interessante aqui é analisar como acontece a transformação e a interação de gêneros musicais. (p.31) Chartier observa que o estudo do popular não pode ser reduzido a certos conjuntos de elementos, mas que se deveria buscar um modo de relação com os objetos que circulam na sociedade, que são manipulados de diversas maneiras. (p.31-32) 



Existe a definição de uma música popular Urbana, que claramente faz alusão a música popular produzida nos meios urbanos: são “manifestações musicais essencialmente urbanas, nascidas nas grandes cidades e delas se irradiando pelo país.” (ALVARENGA, 1982, p. 327) A autora define como representadores da música urbana a Modinha, Maxixe, Samba, Choro, Marcha e o Frevo. A autora não leva em consideração a existência de zonas intermediárias entre a cidade e o rural, diz que “No geral onde a cidade acaba, o campo principia” (p.328). Acaba desconsiderando territórios como os subúrbios, composto pela classe média “marginal” aos grandes centros e do funk brasileiro da periferia que “ocupa o mesmo espaço físico do samba mais tradicional” (YÚDICE, 2004, p.162) A cultura funk começa em princípio nos anos de 1970 na Zona Sul com a valorização de artistas soul e com a criação dos “bailes da pesada”, que acontecia aos domingos no Canecão. Com seus bailes posteriormente transferidos para a zona Norte, se tornando um dos símbolos da cultura afro-brasileira, (YUDICE, 2004, p.175-176) esses bailes podem ser visto como um tipo de “embrião” do funk.

Conclusão
O mais interessante é analisar como acontece no processo de hibridização uma vez que seria impossível e inútil tentar definir os limites entre um gênero e outro uma vez que a cultura é viva e está em constante interação, modificação e criação. Dessa forma espero ter esclarecido sobre os mecanismos utilizados para entender e tentar definir esses limites. Poderemos pensar o dualismo (dicotômico) mas sempre levando em consideração que os dois lados podem e devem interagir criando assim um produto novo e híbrido. Nos prendermos em discursos de “originalidade” ou de música “degenerada” é uma prática do senso comum que deve ser evitada e esquecida.




Bibliografia


ADORNO, Theodor W. Indústria cultura e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

ALVARENGA, Oneyda. Música popular brasileira. 2.ed. São Paulo: Duas Cidades, 1982.

AZEVEDO, Ricardo. Abençoado & Danado do Samba: Um estudo sobre o Discurso Popular. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.

BORGES, Mirelle Ferreira. “O Brasil cantando a uma só voz: Heitor Villa-Lobos, o músico educador” In: FERREIRA, Jorge. As Repúblicas no Brasil: politica, sociedade e cultura. Niterói: Editora da UFF, 2010.

BURKE, Peter. Cultura popular na Idade Moderna: Europa 1500-1800. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

CANDÉ, Roland de. História universal da música: volume 1. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de janeiro: Lamparina, 2014.

_________________.História universal da música: volume 2. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

MONTEIRO, Maurício. A construção do gosto: música e sociedade na Corte do Rio de Janeiro 1808-1821.São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.






1O termo “música clássica”, é usado no seu sentido de “tradicional”, causando confusão com o período da música chamado classicismo. É a mesma música erudita, que também é um termo problemático, o melhor mesmo seria usar o termo “música de concerto” (BARROS, 2006, p.15)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Opus 4 - 1º Movimento: Arrigo Barnabé

Arrigo Barnabé...
Eis alguém que gera polêmica e questionamentos sobre a música e a sociedade brasileira desde os anos 80. Mas qual a origem de Arrigo? Por quais meandros musicais ele andou? Com quem dialogou? O que fora a Lira Paulistana? E por que sua obra vai de crocodilos a gigantes passando por Lupicínio Rodrigues? Um podcast inquieto sobre uma das personalidades que compõe todo esse complexo mosaico que é a música brasileira.

Participação de Daniel MM, Tiago Malta e Tiago de Lima Castro

e com a participação mais que especial do Dragão (Jeff Allan Santos)



Desenho da capa: Daniel MM
Arte final: Felipe Manhães
Edição de áudio: Tiago MaltaTrilha sonora desse podcast

links  
Tubarões voadores montagem no youtube
https://www.youtube.com/watch?v=qTLlnY4WSSY



Arrigo Barnabé apresenta Diversões Eletrônicas no Festival Universitário da MPB
https://www.youtube.com/watch?v=Gldbnhs7Hs8

Trilha Sonora:
Arrigo Barnabé - Office Boy (Live @ CCBB)
Arrigo Barnabé - Sabor De Veneno (Live @ CCBB)
Arrigo Barnabé - Orgasmo Total
Arrigo Barnabé - Clara Crocodilo
Arrigo Barnabé - Canto I Do Inferno
Arrigo Barnabé - Kid Supérfluo, Consumidor Implacável
Arrigo Barnabé - Pô, amar é importante
Arrigo Barnabé - Vingança
Arrigo Barnabé - Papai não gostou
Arnold Schönberg - Pierrot Lunaire 8 Nacht
The Beatles - Lucy in the Sky With Diamonds
Euterpe Despedaçada - Doidecafônico (Variação Dodecafônica) para Viola de Arco e Viola Caipira
Igor Stravinsky - Sagração da Primavera
Itamar Assumpção - Pretobrás
MC Berro D'Água - O Dedo De Deus feat Maxete
Ratos de Porão - Tô Tenso (Patife Band Cover)
Tom Waits - Invitation to the blues 
Os Travessos - Maravilha Poder Te Amar

CONTATOS


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